O Apartheid e Nelson Mandela

Como parte do processo colonial iniciado pela Europa no século XVI, a África do Sul foi colonizada. No primeiro momento da colonização este continente pouco interessou aos europeus. No máximo, o continente atraía pela possibilidade de obtenção de especiarias e escravos. Mas foi com a Revolução Industrial, e o século XIX, que a Europa passa a conquistar definitivamente esse continente. Tanto é verdade que já no final desse século, a Europa era “dona” de 9/10 de toda a África. Isso acontecia, principalmente, com os europeus dominando os nativos através de um controle político e militar, além de obterem um controle rígido da terra e das riquezas encontradas.

No caso da África do Sul, o domínio ficou dividido entre colonos descendentes dos holandeses e os ingleses. Essa convivência nunca foi pacífica, ainda mais quando sabemos que a região sul-africana é muito rica em ouro e diamantes. A guerra entre estes dois colonizadores acontece. Com a vitória dos ingleses é concedida uma independência limitada à África do Sul em 1910, com o domínio britânico, é claro. Durante os anos de colonização holandesa e britânica, a segregação racial, formal ou informal, cresce assustadoramente. Com isso, os vários grupos de negros que habitavam esse país passaram a ter um status de “cidadão de segunda classe”. Isso mesmo quando observamos que quase 80% da população sul-africana era negra!

É neste contexto que nasce o regime do apartheid. Nele, o negro é condenado a uma brutal discriminação e opressão social, que perdurará, infelizmente, até a década de 1990. Tudo no país era dividido, sendo o melhor para a minoria branca e o “resto” para a maioria negra! E o pior era que muitos defensores do apartheid diziam que ele era “justo”, pois havia sido criado para “defender” a “cultura” da minoria branca, para que esta não fosse esmagada pela cultura negra!

É neste contexto que surge Mandela. Um jovem que luta no Congresso Nacional Africano (ANC) e co-funda a Liga da Juventude da ANC. Torna-se presidente deste partido exatamente quando esse passa a ser proibido pela elite branca. Entra para a luta armada e é preso, julgado e condenado à prisão perpétua em 1964. Na época diz: "Meu ideal mais querido é o de uma sociedade livre e democrática em que todos vivam em harmonia com igualdade de oportunidades. Um ideal pelo qual estou disposto a morrer". Sua prisão passa a inspirar aqueles que lutam pelo fim do apartheid. Essas lutas não são infrutíferas e, somada à pressão internacional, o regime de segregação racial finalmente termina em fevereiro de 1990. Mandela é libertado e recebe, juntamente com o último presidente do apartheid, Frederik de Klerk, o Nobel da Paz em 1993. Acaba sendo eleito em 1994. Neste momento Mandela expressa em seu discurso a sua vontade de construir uma "nação arco-íris em paz consigo mesma e com o mundo".
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