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O Aprender e a Tecnologia !


Gostaria de fazer aqui um breve comentário sobre o resultado de nossa pesquisa. Na verdade ela foi motivada por uma matéria que surgiu na internet e que tinha como título “Sala de aula futurista usa Wii, computador e óculos 3D para aula de física”. E como o título sugere, era uma discussão sobre o “poder” da tecnologia no aprendizado !

Essa ideia recorrente em nossos dias, de que a tecnologia, no mínimo, facilita o aprendizado, quando não aparece como fundamental, motivou uma pesquisa em nosso Blog, onde foi perguntado: “A Tecnologia realmente muda algo no ato de aprender ?”. Desta questão duas possíveis respostas surgiam: “Atualmente ela é fundamental !” e “Aprenderé vontade e não tecnologia !”.

Com isso, os participantes que votaram em nossa enquete acabaram por empatar a mesma, 50% para cada lado. Sendo assim, gostaria de dizer o que penso sobre esse assunto para poder desempatá-la. Não, a tecnologia não é fundamental para o aprendizado, e em alguns casos ela pode até atrapalhar! Isso pode ser percebido quando, por exemplo, o resultado da busca no Google passa a ser visto como a “verdade absoluta e inquestionável”, levando ao cúmulo de um dos moderadores de um outro site muito usado pelos estudantes, a Wikipédia, a dizer sobre um verbete proposto por pesquisadores da USP, que estudam a respeito de um grupo indígena pouco conhecido, que não poderia publicar o estudo destes mesmos pesquisadores, pois ele havia procurado sobre estes indígenas no Google e não havia encontrado nada, e, nas palavras dele, se não está no Google, não existe !!!!

É essa pretensa “facilidade de se aprender”, que a tecnologia quer vender em nossos dias, que acaba por incomodar. Isso porque ela acaba fazendo com que os estudantes achem que a pesquisa, a comparação, a análise das fontes, e o próprio esforço intelectual para apreender o sentido que se quer entender, são “banais”, pois se a “tecnologia”, por qualquer meio que seja, mostrou algo, isso deve ser a VERDADE, e ponto final !!!

Isso me faz lembrar de um programa de televisão que foi famoso no começo dos anos 90, “Aqui e Agora”, do SBT, que tinha como slogan "um jornal vibrante, uma arma do povo, que mostra na TV a vida como ela é!". Armados de câmeras os “repórteres” saiam por toda a cidade mostrando “ao vivo” o que “realmente acontecia” nas ruas, por isso, mostravam “a vida como ela é”, ou seja “a VERDADE !” É lógico que eles nunca diziam que o ângulo da imagem, a cena escolhida, o próprio fato selecionado, além dos comentários do apresentador, direcionavam o telespectadora ver a “vida como o programa queria”, mas tendo a sensação que estava vendo a “a vida como ela é”. Neste caso, a tecnologia foi utilizada para vender uma falsa verdade entre aqueles que assistiam ao programa, mas que, como acontece com os jovens que pesquisam hoje no Google ou no Wikipédia, parecia ser a mais pura realidade ! Esse o perigo de se achar que a tecnologia é “fundamental” e “indispensável” para a nossa eterna busca pela “verdade”, o perigo de achar que ela pode substituir o trabalho humano, nem sempre fácil, de PENSAR

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