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O Trabalho Liberta !

Historicamente o homem sempre trabalhou. Ou melhor dizendo, o homem sempre Laborou! Apesar de hoje essas duas definições parecerem sinônimos, isso nem sempre foi assim.

Quando olhamos para a antiguidade vemos que o Trabalho, no sentido do trabalho físico, realizado para conseguir a subsistência do corpo, era visto como Labor, ou seja, como aquilo que era feito pelo homem “menor”, pelo escravo, pela mulher, enfim, por aquele que não podia se “realizar no Todo da Existência Humana”! Com isso fica claro que este tipo de trabalho era reservado ao povo que, por não ter condições, principalmente econômicas, de se tornar um “Filósofo”, um “Cidadão Pleno” da Ágora, passa a ter uma vida secundária, voltada somente à satisfação de seus instintos básicos.

Então fica claro que a noção de trabalhar para se sustentar traz consigo, desde há muito, um preconceito embutido, onde quem trabalha é visto como quase um “não humano”! Já aquele homem que podia não “Laborar”, tinha, naquilo que os gregos chamavam de “práxis”, a possibilidade de se realizar por completo enquanto humano. Isso acontecia pois é na “práxis” que cada ser humano se revela plenamente aos outros naquilo que ele é, comunicando-se. É no discurso e na ação que ele se mostra aos outros na sua individualidade, ou seja, na sua máxima potência!

Como podemos ver, os gregos criaram uma hierarquização das atividades da vida ativa. Nessa hierarquia a “práxis” ocupava o lugar mais alto, ao passo que o “labor” ocupava o degrau mais baixo. Nasce, desde então, um enorme preconceito sobre aqueles que realizam o trabalho no sentido do labor. E essa discriminação vai perseguir o homem, de certa forma, até os dias de hoje!

Essa noção vai perdurar na Europa ao menos até o Final da Idade Média. Quando o chamado Renascimento começar a se espalhar pela Itália, e depois pelo território europeu, uma nova noção de trabalho vai nascer. Agora o artesão e o construtor que, por trabalharem manualmente, sempre foram vistos como “trabalhadores menores”, passam a assumir, principalmente nas Repúblicas italianas, um papel diferenciado. É o nascimento do arquiteto, do engenheiro e do artista que vai começar a transformar a noção negativa de trabalho. Talvez como um dos maiores exemplos desta transformação possamos citar Leonardo da Vinci. Afinal ele sai de uma condição social pouco favorável, como filho bastardo, e se torna protegido de reis e mecenas poderosos, isso graças ao seu trabalho, “manual” como engenheiro, arquiteto, artista ...




Mas é com a Modernidade, com o nascimento dos Estados Modernos e com a Revolução Industrial, que o trabalho assume enfim um viés positivo. É por isso que hoje todos estão em busca de um “bom trabalho”! Você, meu caro jovem, não vai à escola ou à universidade para se “realizar no Todo da sua Existência Humana”, mas sim para ter, no futuro, algo o que oferecer, como mão-de-obra especializada, para uma das inúmeras indústrias que “governam” nossos países e nossas vidas!

É a mudança total de paradigma; o trabalho reconhecido como útil pela sociedade passa a ser aquele que é remunerado. Esta é a principal característica do trabalho moderno: o Salário! Com ele você pode se “realizar Moderno” quando vai, com o seu cartão de crédito e suas dívidas, ao “Templo da Modernidade”, o Shopping, para “Realizar-se no Todo de sua Existência Moderna”: CONSUMINDO! Podemos dizer então que houve uma mutação na natureza da ideia de trabalho. De algo desprezível, para os antigos, transforma-se numa virtude, num valor em si, criando a “dupla identidade social”, a de cada um, a sua Profissão, e a de todos, a de CONSUMIDORES! Pense Nisso.



Ps.: A frase que intitula este artigo, esta localizada acima do portão de ferro da entrada do campo de concentração de Auschwitz !



Click na imagem abaixo e faça uma visita virtual ao campo de Auschwitz e conheça um pouco dos horrores praticados pelos humanos.


Portão de Auschwitz I com a inscrição 'O trabalho liberta'

2 comentários :

  1. q sarcásticos os nazistas, liberta, kkkkkkkkk


    tô desempregado, o feriado cai no sabado, nem tenho muito o que comemorar mesmo.

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  2. Carlos, "sarcasmo" era o mínimo que o nazismo fazia naquela época !!

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