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A Revolta da Vacina

Como havia prometido em nosso artigo anterior, A gripe (H1N1) e a vacinação!, vamos continuar estudando sobre a questão da vacinação e “seus mitos”!


Para tanto, gostaria de começar este artigo relembrando o que já vimos sobre a “variolização”. Com a adoção deste procedimento, muitas pessoas que estavam saudáveis passavam a adquirir a doença. Isso causou, por toda a parte, um enorme pânico, que por muitas vezes se mostrou generalizado, quando as autoridades de saúde, já de posse das primeiras vacinas, e não mais da técnica da variolização, obrigavam as pessoas a se vacinar. Para o povo as imagens das mortes causadas pela antiga variolização ainda estavam muito presente, e por isso, uma vacinação em massa estava fora dos objetivos, e dos desejos, desta mesma população.


Esse era o impasse. Os resultados com a vacinação já se mostravam promissores por todo o mundo. Mas quando Oswaldo Cruz resolveu estabelecer esse procedimento para a população do Rio de Janeiro, então capital do Brasil, para a erradicação da varíola, as pessoas não quiseram aceitar a vacinação. Com isso, a República que acabara de nascer em 1889 já enfrentava mais uma revolta popular.


O Rio de Janeiro no começo do século XX

A Situação do Rio de Janeiro era extremamente precária. Por todo o lado existiam cortiços onde as condições de vida e de higiene beiravam ao caos total. Isso pode ser visto, por exemplo, na obra de Aluísio de Azevedo “O Cortiço”, onde o autor demonstra toda essa violência sofrida pelo povo pobre do Rio de Janeiro. Além do mais, sabemos muito bem hoje, que condições de higiene precárias levam, inevitavelmente, a um crescimento exponencial das doenças na comunidade. E assim encontrava-se a capital do Brasil: Suja, doente e miserável! Era necessário, segundo os ideais republicanos que nasciam, fazer algo para sanear aquela cidade.

Preocupado com esta situação, o então presidente Rodrigues Alves colocou em prática um projeto de saneamento básico e reurbanização do centro da cidade. Para que isso acontecesse, ele designou o médico e sanitarista Oswaldo Cruz para a chefia do Departamento Nacional de Saúde Pública. É neste momento que o problema começa.

A população do Rio vai enfrentar naquele momento, e de uma só vez, mudanças drásticas em sua vida. De um dia para o outro, a reurbanização do Rio vai levar a destruição para inúmeros cortiços. Com isso, a população pobre, que não poderá pagar pelas novas casas da “nova capital”, vai ter que se mudar para a periferia. Acontece que a periferia do Rio de Janeiro é o morro! Nasciam assim as primeiras favelas. Esse processo violento, que já estava em prática desde 1902, vai sofrer um acréscimo de tensão quando, em novembro de 1904, a campanha de vacinação obrigatória é colocada em prática. Esse decreto era extremamente arbitrário, pois impunha o método de extirpação da varíola de modo extremamente rígido! Aqueles que não aceitassem a vacinação eram presos, vacinados à força, pagavam multas e até perdiam os empregos. Estava montado, assim, o palco da “guerra”.


Veja um vídeo sobre esse assunto.




A elite brasileira viu em todo esse processo um grande avanço, afinal o Brasil estava sendo saneado e deixava finalmente as suas raízes coloniais para traz, entrando, assim, de vez na Modernidade. Mas o povo que sofria com todas estas imposições não estava nada feliz. Então, em novembro de 1904, o povo sai para as ruas e resiste ao decreto! Com isso, as manifestações populares e conflitos espalham-se pelas ruas da capital brasileira. Populares destroem bondes, apedrejam prédios públicos e espalham a desordem pela cidade. Em 16 de novembro de 1904, o presidente Rodrigues Alves revoga a lei da vacinação obrigatória, colocando nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. Estes vão utilizar da repressão brutal contra a população; repressão esta que vai durar por meses antes de arrefecer. Com isso, a cidade do Rio voltava, na “marra”, a “calma e a ordem”, mas não sem antes mostrar para a elite que o povo também pode lutar!

Referências:
A Revolta da Vacina - Nicolau Savcenko - Editora Scipione


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